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Dados de pedidos de Recuperação Judicial (2005-20025)

  • Foto do escritor: Marcus Leite
    Marcus Leite
  • 5 de mai.
  • 3 min de leitura

Ampliando o debate inspirado pelas considerações de Edgard Leite, da Verian Consultoria, no artigo de ontem intitulado Grandes Empresas em Dificuldades, incluo abaixo informações relevantes sobre o número de empresas brasileiras que entraram com pedido de Recuperação Judicial nos últimos 20 anos. Esses dados ajudam a oferecer uma visão em perspectiva e a compreender a evolução do cenário atual, além de permitir uma análise mais profunda sobre as causas e consequências desse fenômeno no ambiente econômico brasileiro.

No ano de 2025, o Brasil registrou um número recorde de pedidos de recuperação judicial, com 2.466 empresas solicitando o processo, o que representa um aumento significativo de 13% em relação a 2024. Este crescimento é alarmante e reflete a fragilidade de muitas organizações diante de um cenário econômico desafiador, segundo dados do Indicador de Falências e Recuperações da Serasa Experian. Essa tendência de aumento nos pedidos de recuperação judicial pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo a instabilidade econômica, a alta carga tributária, a concorrência acirrada e, mais recentemente, os impactos da pandemia de COVID-19, que afetaram severamente a operação de muitas empresas.

Ao analisarmos os dados de pedidos de recuperação judicial (RJ) por ano no Brasil, de 2005 a 2025, é possível observar uma trajetória que reflete não apenas as dificuldades enfrentadas pelas empresas, mas também as mudanças na legislação e nas práticas de gestão. A Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101/2005) trouxe um novo marco regulatório que visava facilitar a reestruturação das empresas em dificuldades financeiras, permitindo que elas pudessem se reorganizar e evitar a falência. No entanto, a eficácia dessa lei e sua aplicação na prática têm sido frequentemente questionadas.

Os números a seguir são baseados em relatórios da Serasa Experian e outras fontes confiáveis que acompanham esse indicador desde a entrada em vigor da mencionada lei. A série histórica revela picos de pedidos de recuperação em anos de crise econômica, destacando a vulnerabilidade de setores específicos, como o comércio e a indústria, que costumam ser os mais afetados. Além disso, a análise desses dados permite identificar padrões de comportamento entre as empresas que recorrem a esse mecanismo, como o tamanho das empresas, a região onde estão localizadas e os setores de atuação. Essa informação é crucial para entender como as empresas podem se preparar melhor para enfrentar crises futuras e quais estratégias podem ser adotadas para mitigar os riscos associados à insolvência.


Ano

Pedidos

Notas

2005

600

Ano de introdução da lei

2006

800


2007

700


2008

650


2009

900


2010

850


2011

800


2012

900

Início de desaceleração econômica

2013

950

Agravamento das condições econômicas

2014

1.000


2015

1.300

Período de recessão no Brasil

2016

1.900


2017

1.400


2018

1.300


2019

1.400


2020

1.200

Renegociações e estímulos da pandemia

2021

900

Medidas emergenciais da pandemia

2022

833


2023

1.405

Crescimento de 68,7% em relação a 2022

2024

2.273

Crescimento de 13% em relação a 2023

2025

2.466

Maior patamar registrado


*Importante salientar que os dados podem variar ligeiramente dependendo da metodologia aplicada, e alguns anos têm estimativas aproximadas devido à falta de detalhamento anual completo em todas as fontes.


Tabela da quantidade de empresas com pedido de RJ por ano desde 2005 (Início da vigência da lei de falências)
Tabela da quantidade de empresas com pedido de RJ por ano desde 2005 (Início da vigência da lei de falências)

A série apresenta quatro fases distintas:

  • 2005–2011 FHC - Lula 1 e 2: Durante este período, os pedidos variam entre 650 e 900, com flutuações moderadas que refletem a estabilidade política e econômica da época.

  • 2012–2016 Dilma: Neste intervalo, observa-se uma tendência de alta contínua nos pedidos, que saltam de 900 (2012) para 1.900 (2016). Esse crescimento é notável, especialmente no período de 2015–2016, onde há um aumento mais acentuado, passando de 1.300 para 1.900. Este é também o período de maior deterioração do indicador, refletindo a crise econômica que se instala no Brasil, com instabilidades políticas e sociais.

  • 2017–2022 Temmer - Bolsonaro: Após o pico observado anteriormente, ocorre um recuo nos pedidos, que caem para 1.400 (2017). A partir desse ponto, o nível de pedidos começa a diminuir e a variar, atingindo 833 (2022). O período de 2020 a 2022 é crítico, pois reforça a queda dos números, com uma sequência de redução significativa que vai de 1.200 para 900 e, finalmente, para 833.

  • 2023–2025 Lula 3: Com o retorno de Lula ao poder, há uma reversão brusca em 2023 (1.405), sinalizando uma mudança significativa no cenário econômico e político. Os números continuam a subir, com previsões para 2024 (2.273) e 2025 (2.466), atingindo o maior patamar da série.




Consulte a Verian Consultoria.


Fontes:
  • Serasa Experian

  • Boletins econômicos e imprensa especializada

  • Indicadores da Junta Comercial e Tribunais de Justiça

  • Relatórios de consultorias

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